Em reunião extraordinária da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o analista Thiago Vetter, da Stone X, consultoria especializada em commodities, alertou para uma possível falta de óleo diesel no mercado brasileiro no mês que vem.
“Não há risco imediato para o mês de março, uma vez que o volume estimado de diesel no país está em 1,1 bilhão de m³, suficiente para atender toda à demanda. Entretanto, abril pode ser preocupante” afirmou.
Há também grande incerteza em relação aos patamares que o preço do combustível pode alcançar devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A guerra tem impactado regiões estratégicas para o escoamento do petróleo, como o estreito de Ormuz, considerada a principal passagem do Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo da região.
“É difícil ter uma visão clara da evolução de preços. Podemos estar olhando para um evento similar ao de 2022 e o efeito dos preços seja mais prolongado”, disse citando os preços do petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, mesma situação encontrada quando a Rússia invadiu a Ucrânia.
Nesta quinta-feira (19), o barril alcançou 115 dólares.
O diesel chegou a US$ 4,40 por galão. Para Thiago Vetter, o fato do Brasil depender da importação do produto aumenta a defasagem entre os preços nacionais e internacionais. “Em uma semana, os valores do diesel subiram de R$ 6,15 para R$ 6,89, e a tendência é que continuem subindo”.
O presidente da comissão, Alexandre Schenkel, disse que a reunião foi convocada para um alinhamento entre a CNA e as federações estaduais.
“A situação do diesel que se tornou prioridade nas últimas semanas. A indefinição do conflito no Oriente Médio gera grande instabilidade no mercado e pode afetar nossos custos de produção por um bom tempo”, disse.
Redução de impostos no diesel
O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, elencou as ações do setor privado e dos governos para conter as altas nos preços. A confederação oficiou entidades e encaminhou ao Ministério da Fazenda e ao Confaz, pedindo redução imediata e temporária de tributos sobre o óleo diesel, como PIS/Pasep, Cofins e ICMS.
O governo federal atendeu parte do pleito com a MP 1340/2026, que reduziu em cerca de 32 centavos o preço por litro e estabeleceu multas de R$ 50 mil a R$ 500 milhões para elevação abusiva de preços. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), responsável pelo ICMS, ainda não se manifestou.
“A situação do diesel é preocupante, pois vivemos um momento de intenso uso do combustível nas atividades agrícolas, inclusive no escoamento da produção. O produtor já está endividado, não consegue tomar crédito, enfrenta uma rentabilidade ruim, tudo isso em um cenário de Selic a 15%. Por isso, precisamos estar atentos e trabalhar para reduzir esses impactos no bolso do produtor”, concluiu Lucchi.
Liberação do Estreito de Ormuz
Os governos de Alemanha, França, Holanda, Itália, Japão e Reino Unido divulgaram um comunicado dizendo que vão ajudar os Estados Unidos na liberação do estreito de Ormuz. Os representantes desses países também disseram que vão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia afetado pelos ataques do Irã a instalações na Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes.