Após sobreviver a um ataque de onça-pintada em maio de 2025, a cadelinha caramelo Ana, de seis anos, não resistiu a uma nova investida do felino e morreu. O caso ocorreu na madrugada desta quarta-feira (22), em Corumbá, cidade que fica no coração do Pantanal de Mato Grosso do Sul.
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Onça ataca poodle em residência, mas cadelas botam ela para correr
Ao Primeira Página, a moradora da residência, Cláudia Duarte, contou que desde o ano passado, quando houve o primeiro ataque, a onça continuou aparecendo no terreno.
Na madrugada de segunda-feira (20), o animal foi flagrado por câmera de segurança, caminhando pelo quintal. Na ocasião, a cachorrinha não chegou a ser atacada.
Entretanto, na madrugada desta quarta-feira (22), a onça-pintada avançou em uma área que nunca havia entrado: a varanda onde dormia a Ana.
“A área é murada e tem tela. Ela [a cachorrinha] não tinha acesso à rua. Por volta das 3h, eu estava dormindo, quando acordei com um barulho vindo da varanda. Eu saí do meu quarto, fui para sala onde tem a porta e abre uma janelinha. Quando eu abri, eu vi a onça na varanda. Fiquei cara a cara com ela, só com a porta impedindo”, contou.
Nesse momento, o felino atacou a cachorra na região do pescoço, mas acabou soltando ela assim que a moradora começou a gritar.
“Na hora que eu gritei, ela soltou [a Ana] e pulou de volta para o quintal, seguindo em direção a praça que tem aqui perto de casa. Ela morreu porque pegou bem no pescoço. Eu estou arrasada”, disse.
Assustada, a família informou que a Polícia Militar Ambiental foi acionada e compareceu ao local na tarde desta quarta. Aos moradores, foi informado que seriam montadas armadilhas para tentar capturar o felino.
Ainda no início da noite desta quarta-feira (22), dona Cláudia afirmou que a onça voltou a aparecer no local, mas sem registro de novos ataques até o momento.
A PMA foi procurada pela reportagem quanto ao caso, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) informou que assim que soube do caso, acionou o Grupo Técnico existente, que deve dar andamento na ocorrência.
Ataques frequentes
No dia 24 de maio de 2025, câmeras instaladas no quintal da residência mostraram o momento de bravura da cadelinha Ana e da irmã dela, Leona, que com latidos, conseguiu afugentar a onça-pintada que se preparava para dar um bote.
O vídeo registrou o momento em que a onça-pintada chega de mansinho pelos fundos da residência, localizada na Rua Marechal Floriano. Era por volta das 22h41, conforme explica o professor de educação física Odney Edson de Souza Torres, morador do local.
A onça avançou na poodle Mia, que dormia do lado de fora da casa, mas a cachorrinha foi defendida pelas outras cadelas de estimação. Odney tem quatro cães em casa. Os latidos assustaram o felino, que ainda parou no meio da rua antes de fugir. No vídeo, também é possível ouvir estalos de “bombinhas” usadas pelos moradores para espantar o animal. A onça-pintada feriu a cabeça de Mia, mas a cadelinha passa bem.
Diante da situação, o morador precisou reforçar o cercamento da residência com receio do felino voltar.
“No domingo (25) já comprei tela, tijolos e dois refletores para iluminar o local por onde ela entrou no quintal. Também não estamos mais deixando as cadelas do lado de fora durante a noite”, contou Odney.
Odney relata que a onça-pintada já havia sido vista na vizinhança cerca de 28 dias antes e, inclusive, atacou outros três cachorros. A esposa do professor decidiu instalar o sistema de monitoramento justamente para verificar se o animal continuava rondando a casa da família.
A residência do professor fica próxima ao Mirante da Capivara e ao Rio Paraguai, uma região de mata fechada e rica em fauna.
