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Preso há um ano por morte, servidor da ALMT já recebeu mais de R$ 590 mil sem trabalhar

Há exatamente um ano, Ney Müller Alves Pereira foi assassinado com um tiro na cabeça enquanto caminhava na rua Edgar Vieira, ao lado da UFMT, no bairro Boa Esperança, em Cuiabá. O acusado pelo crime, o ex-procurador da Assembleia Legislativa (ALMT) Luiz Eduardo de Figueiredo Rocha e Silva permanece preso, sem data marcada para o julgamento, e já recebeu R$ 590.327,94 da Casa de Leis.

Procurador da Assembleia Legislativa é acusado de matar um morador de rua em Cuiabá depois que teve o carro danificado. – Foto: reprodução

Ao Primeira Página, a mãe de Ney, Iracema Alves Ferreira da Silva, revela que não consegue visitar o túmulo do filho, diante da angústia com a demora para que o réu seja submetido ao Tribunal do Júri.

“Eu não quero que aconteça com ele [Luiz Eduardo], que ele não passe nunca pelo que ele fez com meu filho e está me fazendo passar. Hoje, um ano, ainda não foi marcado o júri, mas eu creio na justiça divina. Ele assassinou o meu filho a sangue frio”, desabafa.

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Iracema Alves Ferreira da Silva, mãe de Ney Müller Alves Pereira, aguarda julgamento de acusado pela morte do filho em 9 de baril de 2025. – Foto: Reprodução

Iracema conta que o filho tinha distúrbios psicológicos e fazia tratamento psiquiátrico. No entanto, quando foi morto, havia fugido de casa e era procurado pela família.

“Desde os quatro anos de idade, ele começou a apresentar os distúrbios, mas era tratado. Hoje eu não consigo mais ter aquela vida que eu tinha antes, tudo me traz lembranças dele. Quando eu falava com ele, quando ele estava bem, tomando os remédios, era carinhoso com a família. O que aquele sujeito fez, ele não matou só o meu filho, matou a mim também, acabou com a minha vida”, lamenta.

Preso com salário em dia

Segundo Iracema, a família não recebeu qualquer ajuda financeira após a morte do rapaz. Dois dias depois do crime, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, publicou em Diário Oficial ato de dispensa de Luiz Eduardo do exercício da função gratificada de subprocurador-geral de Gestão de Pessoas.

Contudo, levantamento feito pela reportagem aponta que Luiz Eduardo de Figueiredo Rocha e Silva ainda consta como servidor ativo da ALMT e já recebeu cerca de R$ 590.327,94, mesmo preso e sem trabalhar.

Total recebido

R$ 590.327,94

Desde o crime (abr/2025)

Recebido em 2025

R$ 444.072,42

Mai a dez/2025 (8 meses)

Mensal em 2026

R$ 48.751,84

Após reajuste salarial

Período Meses Valor recebido Status
Mai – Dez 2025 8 R$ 444.072,42 Preso / afastado
Jan – Mar 2026 3 R$ 146.255,52 Preso / afastado
Total acumulado 11 R$ 590.327,94

Servidor concursado da ALMT desde 2015. Preso após crime em abril de 2025, continua cadastrado como ativo. Em 2026, reajuste salarial elevou os vencimentos mensais para R$ 48.751,84.

Ele é concursado e atuava desde 2015 na Casa de Leis. Após abril de 2025, mesmo detido, ele recebeu R$ 444.072,42 até dezembro. Já em 2026, com um aumento salarial somado a outros vencimentos, o salário mensal subiu para R$ 48.751,84 ao mês.

Nos três primeiros meses deste ano, ele já recebeu R$ 146.255,52. Somados aos salários de 2025, Luiz Eduardo já recebeu mais de meio milhão em pagamentos, mesmo na cadeia.

A reportagem do Primeira Página procurou a ALMT para mais esclarecimentos. Por meio de nota, a assessoria da Casa de Leis afirmou que a situação funcional e remuneratória do servidor está sendo tratada nos limites previstos em lei, até a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Veja abaixo a nota na íntegra:

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos envolvendo o referido servidor, adotou imediatamente as medidas administrativas cabíveis.

Entre as providências tomadas estão a dispensa da função gratificada, por meio do Ato nº 1704/2025, e a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que segue em tramitação na forma da Lei Complementar Estadual nº 04/1990.

A instituição esclarece que o servidor está preso, afastado de suas funções e sem acesso às dependências da Assembleia Legislativa. A situação funcional e remuneratória do servidor está sendo tratada nos limites previstos em lei, até a conclusão do processo.

A ALMT reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a apuração rigorosa dos fatos.

Disputa judicial e espera pelo júri

Desde a prisão, a defesa de Luiz Eduardo já apresentou diversos recursos à Justiça, com o objetivo de afastar a pronúncia, ou seja, para ser julgado pelo Tribunal do Júri. O movimento processual mais recente indica que a última tentativa da defesa foi negada por unanimidade pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mantendo pronúncia ao júri.

Conforme a denúncia do Ministério Público (MPMT), no dia 9 de abril de 2025 o réu matou Ney, “por vingança e mediante surpresa”, após uma “verdadeira caçada à vítima”, por danificar seu veículo de luxo em um posto de combustíveis, em Cuiabá.

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Carro de ex-procurador teve retrovisor danificado por pedras. – Foto: Reprodução

Luiz Eduardo jantava com a família em uma conveniência do posto quando foi avisado de que um homem em situação de rua havia arranhado seu carro com pedras. Após jantar, deixou esposa e filhos em casa e saiu à procura de pessoa compatível com características descritas por testemunhas.

Do interior de seu veículo Land Rover, chamou a vítima na rua Edgar Vieira, no bairro Boa Esperança, que, ao se aproximar, foi atingida pelo disparo na cabeça, morrendo na hora. Após o crime, o procurador fugiu do local.

No dia seguinte, Luiz Eduardo se apresentou à polícia e foi preso em flagrante por homicídio. Em depoimento, ele alegou não saber o que se passou em sua cabeça no momento do crime. Ney estava em situação de rua e tinha transtornos mentais, tendo sido internado por diversas vezes pela família, mas, quando estava em crise, fugia de casa.

  1. Justiça nega novo pedido da defesa de ex-procurador e mantém decisão de levá-lo a júri

  2. Ex-procurador da ALMT matou morador em situação de rua por vingança, diz MP

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