O presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Meio do Poder Executivo de Mato Grosso (Sinpaig-MT), Antônio Wagner, teve a prisão preventiva solicitada pela Polícia Civil por suspeita de violência psicológica, ameaça e perseguição contra a sindicalista Carmen Machado. O pedido conta com aval do Ministério Público.
O pedido foi feito pela delegada Judá Maali no dia 12 de fevereiro e teve parecer favorável da promotora de Justiça, Marcelle Rodrigues da Costa, no dia 18. Contudo, ainda aguarda decisão da Justiça.
A apuração começou a partir de um boletim de ocorrência registrado pela vítima na Polícia Civil, no qual relata episódios de violência psicológica, ameaça e perseguição atribuídos ao dirigente sindical.
Segundo a vítima, ela tem sido perseguida pelo suspeito desde 2025 e afirma ser alvo de mensagens via rede social com intuito de “difamar, constranger e intimidar com linguagem ofensiva e ameaçadora”. Em algumas das mensagens, ele teria dito que a vítima é “acomodada, perdedora” e que estaria na Federação como “prêmio de consolação”.
Ela ainda atribui a Wagner atos de coação a advogados, favorecimento ilícito, e que tentaria interferir em processos de negociação sindical, com ameaças de “expor” determinadas pessoas.
Outro ponto das supostas mensagens difamatórias envolveriam a idade da vítima em função de seu cargo. “A vítima, que é idosa, relata estar sofrendo forte abalo emocional, com insônia, crises de ansiedade e dificuldades de concentração, fazendo uso contínuo de medicação”, diz trecho do pedido de prisão preventiva.
Para a delegada, o comportamento relatado reproduz dinâmicas de violência de gênero, com motivação misógina e “intolerância contra mulheres que exercem autoridade ou representação pública”. Além disso, a delegada cita registros de casos semelhantes em boletim de ocorrência anterior contra outra vítima e o mesmo suspeito.
Outro lado
Ao Primeira Página, Antônio Wagner informou que não teve acesso ao processo porque tramita em sigilo e que ele ainda não foi ouvido. Ele disse que ele está sendo alvo perseguição por ter denunciado o escândalo dos consignados e que não houve nenhum ataque.
“A discussão origina-se em críticas, feitas por Antônio Wagner, contra a presidente da Federação por ter contratado advogado que representou uma das empresas envolvidas no escândalo dos consignados. Além disso, Wagner também criticou a falta de transparência na utilização dos recursos da FESSP, razão pela qual foi excluído da diretoria a qual foi eleito, sem defesa prévia e sem previsão no estatuto, da diretoria da entidade”, diz a nota.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) informou que não pode repassar informações sobre o caso devido ao sigilo da investigação.
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