O vereador Laércio Noberto Júnior, conhecido como Júnior Chaveiro, foi afastado do Partido Liberal (PL), e a informação foi confirmada, nessa segunda-feira (20) pelo presidente estadual da sigla, Ananias Filho. Segundo ele, o partido já iniciou os trâmites internos que incluem o afastamento preventivo e a abertura de procedimento para expulsão definitiva do parlamentar.
A medida ocorre após a deputada federal Coronel Fernanda protocolar um pedido formal de expulsão partidária. O documento enviado à presidência do PL solicita a expulsão sumária do vereador com base em denúncia de violência doméstica registrada em boletim de ocorrência.
No ofício, Coronel Fernanda — que também atua como Procuradora Nacional da Mulher na Câmara dos Deputados — afirma que a conduta atribuída ao vereador é incompatível com o exercício da função pública, reforçando a necessidade de uma resposta rápida e rigorosa por parte do partido.
Em manifestação nas redes sociais, representantes do PL reforçaram o posicionamento institucional: “Violência contra a mulher não pode ser tratada com silêncio, omissão ou conveniência. Quem agride mulher não pode representar a população”. A nota também destaca que medidas firmes continuarão sendo adotadas em casos semelhantes.
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Destituição do cargo
Além da movimentação partidária, a Câmara Municipal de Barra do Bugres também tomou providências. Em sessão extraordinária realizada na segunda-feira, os vereadores aprovaram, por 10 votos favoráveis, a destituição de Laércio do cargo de presidente da Mesa Diretora e seu afastamento do mandato por quebra de decoro parlamentar. O parlamentar não esteve presente na votação.
Os parlamentares também determinaram que ele não frequente a Casa de Leis, já que o local é ambiente de trabalho da vítima. A decisão foi tomada após a Procuradoria da Mulher da Câmara ouvir o relato da denunciante, que descreveu agressões ocorridas no domingo (19).
Durante a sessão, a vereadora Claudia Santana Barbosa destacou que os fatos apontam violação à dignidade do cargo e aos deveres éticos do mandato. A Procuradoria da Mulher também alertou para o risco de interferência nas investigações caso o vereador permanecesse em atividade.

O caso
De acordo com a Polícia Civil, a vítima relatou ter sido agredida com uma chave de rodas após retornar de um evento na cidade. Ela apresentava ferimentos no pescoço e nas pernas, e foram solicitadas medidas protetivas de urgência. O caso segue sob investigação.
O afastamento aprovado pela Câmara tem caráter cautelar e preventivo e não representa, neste momento, a cassação do mandato. Até agora, a defesa do vereador não foi localizada pela reportagem.