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Editorial: Preservar as tradições é cultivar nossa identidade

Santa Catarina é, de Norte a Sul, um território formado por histórias, saberes e tradições que atravessaram o Atlântico há quase três séculos e que se enraizaram em nossa cultura como parte da nossa identidade. Entre esses legados, a arte da renda de bilro ocupa um lugar especial, não apenas como um artesanato delicado, mas como um símbolo vivo da presença açoriana na formação da sociedade.

Recentemente, duas rendeiras de Florianópolis embarcaram rumo aos Açores, mais precisamente à Ilha de São Jorge, em Portugal, para ensinar a tradicional renda de bilro a novos artesãos locais.

Essa viagem, que reverteu o fluxo histórico da tradição original, é um alerta sobre a urgência de valorizar e preservar esses saberes que estão na essência da nossa cultura.

A renda de bilro não é apenas um produto artesanal. Ela representa um patrimônio cultural vivo, é a memória coletiva transmitida de geração em geração. Essa prática é um importante segmento de trabalho, que proporciona renda para famílias e contribui para a economia local por meio do artesanato e do turismo cultural.

Por meio de políticas públicas, datas comemorativas como o Dia Municipal da Rendeira e do Rendeiro (21 de outubro) foram instituídas para celebrar essa tradição e dar visibilidade às suas protagonistas – as mulheres rendeiras que mantêm vivo o ofício e a história.

Eventos, oficinas, exposições e homenagens vêm sendo promovidos pela Prefeitura de Florianópolis e por organizações culturais, fortalecendo o artesanato tradicional e o reconhecimento da renda de bilro como uma expressão singular da identidade catarinense.

O desafio agora é, diante das mudanças nos modos de vida da população, transmitir esse conhecimento às novas gerações. Não podemos correr o risco de que esses saberes se percam.

É necessário compromisso coletivo com políticas públicas permanentes, apoio institucional e, principalmente, valorização social dos que guardam e praticam essas tradições.

Preservar tradições é muito mais do que celebrar o passado, é reconhecer a diversidade cultural que nos constitui, fortalecer a economia local e garantir que as histórias que nos formaram continuem vivas, relevantes e inspiradoras.

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