Argentina terá embaixada em Jerusalém, anuncia Javier Milei

O presidente da República Argentina, Javier Milei, desembarcou em território israelense neste domingo (19) para uma visita de Estado cuja tônica dominante foi o aprofundamento dos laços diplomáticos bilaterais e a ratificação solene da decisão de instalar a representação diplomática argentina em Jerusalém.

Tão logo pisou em solo sagrado, o mandatário argentino dirigiu-se sem escalas ao Muro das Lamentações — o Kotel —, recinto de máxima veneração para a tradição judaica. Esta configura a terceira ocasião em que Milei, desde sua posse, aporta em Israel, e, a exemplo das viagens anteriores, elegeu o epicentro espiritual do judaísmo como ponto inaugural de sua agenda.

Acolhido por dignitários religiosos do local, o presidente participou de um instante de recolhimento e prece, declamou um trecho dos Salmos e deixou transparecer visível comoção ao longo da estada. Conforme narrativas difundidas pela imprensa regional, Milei teria confidenciado enxergar naquele sítio o lugar de maior significado para sua trajetória pessoal.

No decorrer dos compromissos oficiais, Milei foi recebido em audiência pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. De acordo com informações veiculadas pelo jornal Times of Israel, as duas lideranças firmaram os denominados “Acordos de Isaac”, além de um conjunto de pactos de cooperação estratégica abrangendo as searas de segurança nacional e inteligência artificial.

A nomenclatura escolhida para os tratados remete diretamente aos históricos “Acordos de Abraão”, celebrados em 2020, os quais promoveram a normalização das relações entre Israel e diversas nações de confissão árabe e que agora buscam estender pontes de colaboração com países situados no Hemisfério Ocidental.

Na mesma esteira de anúncios, foi confirmado que até o desfecho do corrente ano terão início os voos comerciais diretos conectando as duas nações.

Detalhamento da cerimônia e a simbologia dos “Acordos de Isaac”

Ao se encontrarem em Jerusalém, os dois estadistas trocaram um caloroso abraço. Em tom de descontração, o premiê Netanyahu brincou com a curiosa semelhança fonética entre o prenome “Javier” e o vocábulo hebraico chaver, cuja tradução literal é “amigo”.

Momentos antes do início das deliberações formais, ambos posaram para o corpo de fotógrafos exibindo o gesto de positivo com os polegares, enquanto Netanyahu saudava o presidente argentino com a frase:

“Regozijo-me imensamente por tê-lo aqui”. A comitiva presente no ato incluiu o chanceler Gideon Sa’ar, a ministra dos Transportes Miri Regev, o ministro das Finanças Bezalel Smotrich e o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee.

No pronunciamento que proferiu durante a solenidade de assinatura dos Acordos de Isaac, realizada no próprio gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu avaliou que as recentes transformações no cenário político da América do Sul — numa alusão pouco velada à ascensão de governos alinhados à direita e de viés pró-ocidental — simbolizam o ressurgimento da “coalizão das nações livres”.

“Tudo se origina a partir de nós dois e do suporte que invariavelmente emana dos Estados Unidos em favor das sociedades que prezam pela liberdade”, pontuou Netanyahu, que externou ainda seu anseio de que o paradigma inaugurado pelos Acordos de Abraão possa ser replicado e estendido ao contexto latino-americano.

“Já tivemos Abraão, e agora temos Isaque. Qual será, então, a natureza dos futuros Acordos de Jacó?”, gracejou o primeiro-ministro.

A chamada “Iniciativa Milei” congregará “os descendentes de Isaac e as nações alicerçadas sobre a tradição judaico-cristã, irmanadas na defesa intransigente da liberdade e do regime democrático, bem como no combate cerrado ao flagelo do terrorismo, à chaga do antissemitismo e ao narcotráfico”, conforme os termos de uma declaração conjunta emitida ulteriormente pelos dois governos.

Em sua manifestação, Milei classificou o lançamento dos pactos como “um divisor de águas histórico para os nossos povos”. “Tal iniciativa não apenas robustecerá os vínculos entre a Argentina e Israel, nações unidas por um arcabouço de valores comuns, como também representa um avanço concreto rumo à construção de um hemisfério mais livre e mais próspero”, declarou o mandatário.

“A Argentina e Israel são irmanados pela dor desde o brutal atentado terrorista perpetrado contra a sede da embaixada em Buenos Aires”, acrescentou Milei, rememorando o sangrento ataque de 1992 contra a missão diplomática israelense na capital argentina, ação cuja autoria intelectual é atribuída ao regime iraniano.

A confirmação da transferência da embaixada e o contexto diplomático

No início do corrente ano, especulou-se que a Argentina teria colocado momentaneamente em compasso de espera os planos de relocalizar sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

Tal hesitação teria sido motivada por um contexto de tensões subjacentes entre as administrações de Benjamin Netanyahu e Javier Milei, cujo estopim residiria nos projetos da empresa Navitas Petroleum de efetuar perfurações marítimas nas águas disputadas do arquipélago das Ilhas Malvinas, com previsão de início das atividades para o ano de 2028.

Não obstante tais especulações pretéritas, durante a presente visita oficial Milei foi categórico ao reafirmar o compromisso assumido: “No dia de hoje, ao mesmo tempo em que clamamos por justiça, concretizaremos a transferência da embaixada argentina para Jerusalém”.

O deslocamento da legação diplomática argentina da cidade de Tel Aviv para Jerusalém havia sido anunciado por Milei ainda nos estertores de 2024, poucos meses após sua ascensão ao poder. A visita em curso sinaliza, portanto, mais um passo palpável na direção do cumprimento integral dessa promessa de campanha.

Esta é a terceira incursão de Milei a Israel desde que foi empossado na chefia do Executivo argentino, em dezembro de 2023, fato que evidencia o ineditismo e a intensidade da aproximação entre os dois governos. A previsão é de que o presidente argentino permaneça em solo israelense até a próxima terça-feira (21).

Uma vez concretizada a mudança, a Argentina se tornará o oitavo país soberano a fixar sua representação diplomática máxima em Jerusalém, somando-se a uma lista que já inclui os Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Fiji, Kosovo, Papua Nova Guiné e Paraguai.

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