Em fevereiro, a União Europeia foi o destino que melhor remunerou a carne mato-grossense, pagando 40% a mais por tonelada em comparação com compradores tradicionais. Os dados, compilados pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), com base em estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), mostram que o bloco europeu desembolsou, em média, US$ 6.082,14 por tonelada, valor significativamente superior ao pago pela China (US$ 4.206,20) e pelos países do Oriente Médio (US$ 4.481,37).
Apesar de representar um volume menor nas exportações totais, o mercado europeu se destacou pela capacidade de pagamento. Até fevereiro, a União Europeia importou 5,3 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), gerando receita de US$ 32,4 milhões para o estado.
Segundo o diretor de Projetos do IMAC, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho aponta para uma diversificação de mercados e no atendimento de exigências sanitárias e ambientais mais rigorosas, uma característica do mercado europeu.
Cenário internacional
O cenário internacional também tem contribuído para sustentar os preços. A demanda global aquecida impulsionou a valorização da arroba do boi gordo na primeira quinzena de março, com alta de 10,21% em Mato Grosso, atingindo US$ 65,40/@.
Segundo dados do último relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicado na última segunda-feira (16), o movimento acompanha tendências observadas em outros exportadores relevantes, como Argentina, Uruguai e Austrália, onde também houve avanço nas cotações.
Além da demanda estável, fatores geopolíticos influenciam o mercado. A instabilidade no Oriente Médio tem pressionado custos logísticos, com aumento nos fretes marítimos, combustíveis e seguros, o que pode impactar diretamente o preço final da carne exportada.
Esse ambiente tende a favorecer fornecedores capazes de atender mercados mais exigentes e capazes de absorver as oscilações de custo, como é o caso da União Europeia.
No mercado interno, o preço do bezerro de 7 arrobas em Mato Grosso apresentou recuo semanal recente, mas mantém viés positivo na comparação quinzenal, refletindo a demanda consistente pela reposição. As boas condições das pastagens, favorecidas pelo período chuvoso, contribuem para esse cenário, reforçando a base produtiva do estado.
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